2011-10-24

Paul Gauguin e o arquétipo puro da beleza primordial





De onde vimos, quem somos, para onde vamos?,
Mulheres do Tahiti,
Auto retrato com halo
e
Vahiné

Tendo nascido em Paris, Paul Gauguin viveu os primeiros sete anos de sua vida em no Perú, para onde se mudou a sua família após a ascensão de Napoleão III ao poder. Mas durante a longa a bordo de um transatlântico o pai acabou por ter complicações de saúde e faleceu. E Gauguin desembarcou em Lima apenas com sua mãe e irmã. O pintor parte para o Tahiti em busca de novos temas e para se libertar dos condicionamentos da Europa. As suas telas surgem então carregadas da iconografia exótica do lugar onde não faltam cenas que ilustrativas de um erotismo natural. A cor adquire mais aqui preponderância representada pelos vermelhos intensos, amarelos, verdes e violetas. Após o regresso à Europa vida complicou-se-lhe. Colocou à venda cerca de 40 peças. A maioria foi comprada pelos próprios amigos de Gauguin, como por exemplo Theo Van Gogh, irmão de Vincent van Gogh, que trabalhava para a Casa Goupil, uma conhecida galeria de arte de então.Conseguindo apenas menos de 3 mil francos, regressou ao Tahiti onde pintou cerca de uma centena de quadros sobre tipos indígenas como Vahiné no te tiare a ("Jovem com flor") e Mulheres de Tahiti, além de executar inúmeras esculturas e escrever o livro, Noa noa. De regresso a Paris, realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel, voltou ao Taiti, mas fixa-se definitivamente na ilha Dominique. Nesta fase, cria algumas de suas obras mais importantes, como De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?, tela de grandes dimensões que sintetiza toda a sua pintura, realizada antes de uma frustrada tentativa de suicídio, recorrendo ao arsénico. Em Setembro de 1901, transferiu-se para a ilha Hiva Oa, uma das Ilhas Marquesas, onde viria a falecer de sífilis.


Fonte: Wikipédia

Adaptação: CSD

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2011-10-21

"As palavras são apenas memória”









Trazendo à memória um dos debates do Correntes d’Escritas de 25 de Fevereiro de 2011 na Póvoa de Varzim, cujo tema consiste num verso retirado de um poema de Jaime Rocha, vasculho a memória na ponta de esferográfica e nos meus cadernos já de folhas reviradas nos cantos as palavras de cinco escritores:




Mário Zambujal (num momento de inspiração Heideggeriana)


A memória está relacionada com o tempo e a sua passagem. Ou seja: quanto mais tempo vivido mais memórias temos para traduzir sentimentos e emoções retidos na Memória. Chega uma altura em que o nosso tempo “para trás” é maior do que o nosso tempo “para a frente” (…) e as tertúlias são um despoletar de memórias. Como se vê pelo uso do “Tu lembras-te de…” Hoje em dia, nos media, assiste-se de certa forma a uma espécie de retorno ao passado, onde a palavra “novo” está omnipresente: na publicidade, no jornalismo, na literatura, impedindo, contudo, um corte com o que está para trás, isto é, com a história, com a memória.



No que toca à escrita, o passado teria de ter mais futuro...


Ignacio Martínez de Pisón (reparando, com alegria, na presença de mais um escritor aragonês na mesa)


Não é habitual que os escritores de Zaragoza se reúnam em mesa redonda fora de Zaragoza...


… gosto de romancistas que falem das coisas que lhes são próximas. Por exemplo, a minha cidade, Zaragoza, pode ser, uma espécie de palimpsesto. E escrever é uma forma de criar recordações, de lembrar, explorando ao máximo as memórias.


Tenho por norma falar do passado franquista em Zaragoza nos meus romances, referindo aspectos curiosos como “A torre dos italianos”. Trata-se de um memorial erigido aos apoiantes italianos de Franco, que morreram na guerra civil espanhola. O livro baseia-se nos relatos do meu avô, trata-se de uma sátira que recorre à memória para mostrar como todas estas disputas são ridículas...!


Nuno Júdice (Trazendo à memória Ezra Pound)


Durante uma viagem a Veneza interrogava-me sobre “o que é a poesia” e cheguei à conclusão que está é constituída por uma série de “punti luminosi”, que são as palavras que tecem o padrão das memórias.


Para Jean paul Sartre, num texto intitulado Baudelaire, os poemas seriam “ uma espécie de relâmpagos que interrompem a noite – un éclair fuit la nuit.” E ao ler Chateaubriand, dei-me conta que as palavras são “sinos” ou detonadores de memórias: memórias que se cruzam com o que lemos e que fazem com que sintamos de outra forma o que lemos.


João Paulo Borges Coelho (de visita a Portugal para o Correntes, vindo expressamente de Moçambique)


As palavras são nomeadas para nomear coisas que estão ausentes. São uma ponte para o mundo e o instrumento da Memória. Caso contrário, ficaríamos prisioneiros do Tempo (cá temos Heidegger, novamente). Nabokov diz que a Literatura não começa quando um jovem chega à aldeia e grita. “vem aí o Lobo!” e não há lobo nenhum. A fractura está entre o acontecimento e o relato. Não no equívoco, mas nas palavras como instrumento para designar o real. O poeta considera as palavras como coisas e não como a sua representação, distanciando-se assim do senso comum. O poema está àquem das palavras como mero fonema ou grafismo. Para o homem comum, as palavras são domésticas, ferramentas. Mas para o poeta, elas são selvagens, o poeta é dominado pelas palavras.


As palavras de hoje surgem anímicas. Vivemos um mundo assente na amnésia. Daí a literatura ser atraída pela ideia de infortúnio, de “necrofilia”. Este acordo ortográfico, por exemplo, visa eliminar o passado das palavras, as suas cicatrizes, o caminho pelo qual a língua percorreu. E agora pergunto: em nome de quê? Quem manda nas palavras?”


César Ibañez de Paris (desabafo face à necessidade de utilizar as palavras, recorrendo, para tal, à memória)


As palavras são um instrumento de trabalho, um material sensível, onde há também a evocação de um sonho do passado, através de um sonho dialogado entre o poeta e a morte.





Rui Zink (Com a habitual ironia fina, que já tão bem conhecemos...)


Tento ser homem de palavra e de memória. As palavras viajam mas vivem também do esquecimento...o trabalho do escritor é compreender a História e levar a palavra a sério, colocanado questões. Depois há a necessidade de distinguir as "boas perguntas" - aquelas que trazem pensamento, debate e as más perguntas que levam ao aprisionamento - são as chamadas perguntas fechadas...


(O Autor cita uma entrevista que lhe foi feita pelo diário económico, a cujos clichés decide responder com nonsense, utilizando apenas monossílabos complatamente descontextualizados, sendo por isso censurada. Termina com o apelo à "luta contra o quotidiano vil, marcado pela ditadura económica dos nossos dias").



Fotos: Cortesia da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.


(vejam lá se conseguem descobris a Autora deste post no meio da plateia...)



Cláudia de Sousa Dias

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2011-10-14

Cineliterário: "Quo Vadis" dia 28 de Outubro, 6ª na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco

Às 21 e 30, como é habitual.

Entrada livre.








Estas imagens são da propriedade exclusiva do seu produtor







Quo Vadis
(Quo Vadis, 1951)
• Direcção: Mervyn LeRoy, Anthony Mann
• Guionistas: S.N. Behrman, Sonya Levien, John Lee Mahin, Henryk Sienkiewicz (romance)
• Género: Drama/Histórico/Romance
• Origem: Estados Unidos
• Duração: 171 minutos
• Tipo: Longa-metragem

Sinopse


Após três anos em campanha, o general Marcus Vinicius (Robert Taylor) retorna à Roma e encontra Lygia (Deborah Kerr), filha adoptiva de Aulo Plautio, por quem se apaixona. Lygia é cristã e não desejar qualquer envolvimento com um oficial romano, cujo exército lembra a opressão e o desrespeito pela sua família biológica. É que, pesar de ter sido criada como romana, Lygia é a adoptada por um general aposentado mas de comportamento e ideias atípicas em relação ao estatuto que possam usufruir os cidadãos não romanos e no no tocante ao tratamentos de TODOS os seres humanos como pessoas. Lygia, chama-se na realidade Calina e é a princesa da Lygia - reino da Ásia Menor,, ocupado e tutelado por Roma. Logo, teoricamente, é uma refém Roma e do Imperador.

Marcus Vinícius apaixona-se pela jovem à primeira vista e decide procurar o imperador Nero (Peter Ustinov) para que ela lhe seja cedida pelos serviços que prestou ao exército. Lygia ressente-se, mas acaba por se apaixonar por Marcus.

Enquanto isso, as atrocidades de Nero são cada vez mais ultrajantes. Quando decide queimar Roma e colocar a culpa os cristãos, Marcus toma a resolução de salvar Lygia e a família dela.

A repressão contra o cristianismo, visto na altura como uma "perigosa superstição", cresce mas o feitiço virar-se-á contra o feiticeiro...

Quo Vadis é a típica superprodução de Hollywood nos seus anos dourados, baseada na obra homónima do escritor polaco Henryk Sienkiewicz, vencedor do Prémio Nobel em 1901, uma obra considerada como apologista do cristianismo.

Destaca-se a soberba interpretação de Peter Ustinov, como o melhor Nero de sempre e para Leo Green como Petronius. Sofia Loren (como uma das escravas de Lygia) e Elizabeth Taylor ( como prisioneira cristã, na arena)surgem como personagens extremamente periféricas.


Cláudia de sousa Dias




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2011-10-03

Saudades

Inês Pedrosa com Miguel Carvalho, Comunidade de Leitores
da Livraria Almedina, Arrábida Shopping,
Sábado, 30 de Janeiro de 2010 por CSD

Quisera ter o Talento de Inês Pedrosa a escrever contos de erotismo sem cair em lugares comuns, nem resvalar para a vulgaridade. Hoje passei a fino a revista das "Correntes d'Escritas 2011" e o melhor texto em prosa foi, para mim, e sem sombra de dúvidas, o dela.