2012-12-04

A LIBERTAÇÃO


Photo by Resim & Fotoğraf


A LIBERTAÇÃO

A neve
que caía como as plumas
de um céu assustado
era um toque suave nos cabelos
nos rostos e nas fechadas mãos
ao frio
era a primeira voz de amor
a neve, no silêncio
branco que se ouvia.


João Tomaz Parreira


Este é o último de uma série de POEMAS SOBRE FOTOS DE CRIANÇAS
DO HOLOCAUSTO


 AINDA A TEMPO DA INFÂNCIA

do poeta João Tomaz Parreira ou J.T.Parreira, Lisboa, 1947. Poeta. 6 livros de poesia (Este Rosto do Exílio,1973; Pedra Debruçada no Céu, 1975; Pássaros Aprendendo para Sempre, 1993; Contagem de Estrelas, 1996; Os Sapatos de Auschwitz, 2008; e Encomenda a Stravinsky, 2011 ). Um ensaio teológico (O Quarto Evangelho - Aproximação ao Prólogo, 1988). Participação em Antologias. Escreve na revista  evangélica «Novas de Alegria» desde 1964 e no Portal da Aliança Evangélica Portuguesa. Na juventude escreveu poesia e artigos no suplemento juvenil do "República", entre 1970-1972.

desviados do blogue de Amadeu Baptista que tem um imenso arsenal poético ee musical para nosso deleite.

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DEPORTAÇÃO




DEPORTAÇÃO


A morte não deveria ser obrigatória
em marcha
nestes pequenos pés
Uma fila de olhos sem regresso
pequenas dimensões
onde só deveria estar a alegria
vão
sem reparar que é enganosa
a sua infância tranquila.

João Thomaz Parreira

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BARRACA 66

Photo by  I dream of Lebanon



BARRACA 66

Esperavam que a voz fosse suave
as palavras novas
num toque de pluma nos ouvidos
nos olhos
que não estão assustados
O sorriso começa agora a dar um ar
das suas asas, um pássaro
novo
deixa alegres vestígios sobre a neve.

João Thomaz Parreira

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2012-05-27

PARA DANÇAR UM TANGO

Imagem retirada do mural de Maria Quintans.

Um tango dança-se com faca
no olhar
e sapatos a acolchoar o silêncio
Um tango estilhaça
tudo o que está perto
o ar onde o corpo se contorce
onde as mãos afogam
mãos ou na cintura
navegam como se fosse
um rio de prata.

João Tomaz Parreira

Desviado do blogue deAmadeu Baptista

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UM BEIJO NO BOSQUE


Photo by Resim & Fotoğraf.
Fecharam os olhos
os duendes do bosque, o beijo
floriu nos arbustos, nos ramos
do sol, no perfume do vento
crepitou nos lábios
um segredo profundo
lançando raízes
o incêndio no bosque
fecharam os olhos
esquilos e aves
recuperam o canto
à volta do lume.

João Tomaz Parreira
Poema desviado do blogue deAmadeu Baptista

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BANHO DE MAR


Photo by Sandra for Resim & Fotoğraf.

Começam por entrar as pernas
nuas hesitantes
e fincam-se como Rodes sobre o Egeu
a cintura depois
de inundados os calções
por fim o próprio umbigo
cordão que sempre nos ligou à vida
os braços nus abraçam
o que do sal começa a fervilhar na onda
como um feixe de dedos nossas mãos
vão abrindo sulcos na imaginação
até ao horizonte.

© de João Tomaz Parreira

João Tomaz Parreira ou J.T.Parreira, Lisboa, 1947. Poeta. 6 livros de poesia (Este Rosto do Exílio,1973; Pedra Debruçada no Céu, 1975; Pássaros Aprendendo para Sempre, 1993; Contagem de Estrelas, 1996; Os Sapatos de Auschwitz, 2008; e Encomenda a Stravinsky, 2011 ). Um ensaio teológico (O Quarto Evangelho - Aproximação ao Prólogo, 1988). Participação em Antologias. Escreve na revista evangélica «Novas de Alegria» desde 1964 e no Portal da Aliança Evangélica Portuguesa. Na juventude escreveu poesia e artigos no suplemento juvenil do "República", entre 1970-1972.

partihado a partir do blogue de Amadeu Baptista

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