2012-10-02

Rui Baião5

Photo by Project Noah.

Três janelas e um pântano.
Falemos de casas devolutas,
das muitas pontes especulativas,
da renovação das veias e dos gritos,
do dedo no gatilho dentro da cabeça,
dos fungos que escureçam tudo à volta.
Falemos de nós, do rastilho que do pulso vá
à idade do olhar, e daí à sebenta da infâmia.


Rui Baião
[in Rude, Averno, 2012]

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Rui Baião4

Photo by J'aime l'art et la nature Flora(Josiane Cuppens)

O homem é o medo com uma dor altiva lá dentro.
Um homem é tudo e nada, tão próximo de não saber.
Um homem não se lembra de desaparecer.
Depois, as dúvidas e o nojo. Depois, é só tu quereres
o rude rigor em acção.

Rui Baião
[in Rude, Averno, 2012]

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Rui Baião 3

Photo by Pete Oxford for Lince Ibérico (Lynx Pardinus) S.O.S.


Entre arames e ruínas até ao carreiro das formigas.
Sempre uma última vez: mesa posta sem um único idioma
ou a glória de nada querer. À noite,
com os dentes na cal. À noite,
com a força das ancas. À noite,
com feridas lácteas pela pequena face,
ou bátegas quase gestos.


Rui Baião
[in Rude, Averno, 2012]

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Rui baião2


Photo by Resim & Fotoğraf

Os dois sem palavras, a noite sem luvas nem nuvens,
o ruído à ponta da corda. O gelo fulmina, cerca
a fêmea e o erro, a boca fula a entrar
numa lua de pedra.




Rui Baião

[in Rude, Averno, 2012]

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Rui Baião 1


Photo by Sandra for Resim & Fotoğraf


Perder tudo ao jogo das ofensas,
ser ravina, antiga noiva dos céus.
Ter o mal à mão, a foice no sangue,
a gárgula que o auge dissesse
a nenhuma divindade: sub-
trair o nada ao nada, subsistir,
buscar razia e razão, acreditar: hoje
menos que ontem, amanhã
menos que hoje…

Rui Baião
[in Rude, Averno, 2012]

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